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Por que regular o marketing de alimentos para crianças?

Como anda a alimentação do brasileiro e, em particular, do adolescente que freqüenta as escolas?

1. CONSUMO DE ALIMENTOS

Entre as décadas de 60 e 80, em relação à evolução do consumo alimentar nas áreas metropolitanas brasileiras, foram constatadas duas tendências majoritárias: 1) a expansão no consumo relativo de produtos de origem animal (sobretudo leite e derivados, mas também carnes e ovos) em detrimento de cereais, leguminosas e raízes e tubérculos; e 2) a substituição intensa de gorduras animais (banha, toucinho e manteiga) por óleos vegetais e margarinas. O resultado dessas mudanças para a saúde da população foi de modo geral positivo, uma vez que, ao final, tornou-se possível melhorar simultaneamente o aporte protéico da dieta (e de outros nutrientes essenciais como minerais e vitaminas, os quais, em geral, se apresentam em maiores concentrações nos produtos de origem animal) e a composição lipídica da dieta (aumento na relação entre ácidos graxos poliinsaturados e saturados e redução no conteúdo de colesterol). O aspecto negativo das mudanças foi o aumento exagerado no conteúdo lipídico total da dieta observado na Região Sudeste, onde, em 1988, a proporção de calorias lipídicas atingiu cerca de 30% ou o limite máximo do intervalo recomendado para esse indicador. A alimentação fora do domicílio, realizada em bares, em restaurantes, nas redes de alimentação ligeira e mesmo em vendedores ambulantes, tem importância crescente desde os anos 70, tendo absorvido, em média, 25,3 % dos gastos totais das famílias com alimentação, em 1996.

Tratando da alimentação no domicílio, sua composição sofreu modificações significativas entre levantamentos realizados em 1987 e 1996 (POF’s), tanto na quantidade consumida per capita dos diversos grupos de produtos (Tabela 1) quanto na participação desses grupos na despesa familiar. Os grupos em que o consumo e os gastos elevaram-se foram os de ‘bebidas e infusões’ e de ‘alimentos preparados’. A elevação dos gastos com bebidas e infusões (notadamente refrigerantes e cervejas) esteve associada ao aumento da quantidade consumida per capita desses bens em todos os estratos de renda. O mesmo fenômeno ocorreu com os alimentos preparados. Os alimentos preparados representam uma parcela ainda pequena, porém crescente, das despesas totais com alimentação (2,2 % em média, chegando a 3,3 % no estrato superior de renda), e têm um significado análogo ao da alimentação fora do domicílio no tocante à forma de consumo dos alimentos pré-elaborados ou prontos. Outro grupo, onde os gastos com a aquisição dos produtos foram percentualmente maiores, foi o dos panificados, porém com uma pequena redução no consumo per capita desses bens. Deu-se uma redução nos pães enquanto houve um aumento da quantidade consumida de biscoitos em todos os estratos de renda.

No grupo das carnes também houve aumento da quantidade consumida per capita. O grupo ‘leite e derivados’ apresentou uma redução do consumo per capita e da participação percentual nas despesas das famílias com alimentação, porém, com diminuição no consumo e o gasto percentual com leite fluido e aumento no consumo de queijos e requeijão em quase todos os estratos de renda. As farinhas e as massas apresentaram pequena redução do consumo per capita e da sua participação nas despesas das famílias.

O caso das frutas e hortaliças apresenta uma situação de decréscimo do consumo per capita de frutas tropicais (principalmente no estrato inferior de renda), ao mesmo tempo em que se elevou o consumo de frutas de clima temperado em praticamente todos os estratos de renda. Isto se explica pelo preço relativamente caro de bens que não preenchem as necessidades de alimento, em especial nas camadas de menor renda. Os casos mais notórios de produtos onde ocorreu a redução tanto da quantidade consumida per capita quanto da participação percentual nas despesas com alimentação são os do arroz e do feijão (no grupo dos cereais) pela importância de ambos na dieta alimentar dos brasileiros.

Tabela 1 – Consumo alimentar domiciliar per capita anual (kg), Brasil, 1987-1996.


Grupos de Produtos

Anos

Variação (%)

1987

1996

1987-96

Cereais e leguminosas

43,82

38,97

- 11,07

Frutas

47,98

40,40

- 15,81

Frutas tropicais

43,88

33,66

-23,29

Frutas temperadas

4,11

6,74

64,02

Hortaliças

45,53

34,44

- 24,41

Cocos, castanhas e nozes

0,77

0,64

- 16,65

Farinhas, féculas e massas

17,74

14,69

- 17,22

Farinhas

9,15

7,22

-21,11

Massas

4,83

4,50

- 6,69

Panificados

27,04

25,37

- 6,17

Pães

23,33

21

- 9,95

Biscoitos

3,13

3,93

24,47

Carnes

25,55

28,09

9,97

Bovina

19,79

21,76

9,96

Suína

4,75

4,49

- 5,60

Outros animais

1

1,84

84,00

Vísceras

1,64

1,15

- 29,82

Pescados

3,56

3,02

- 15,16

Aves e ovos

22,17

21,82

- 1,60

Aves

15,16

17,50

15,43

Ovos

7,01

4,32

- 38,43

Laticínios

70,42

59,24

- 15,88

Leite fluido

66,36

55,19

- 16,83

Queijos e requeijões

2,30

2,61

13,76

Açúcares e prod. confeit.

25,82

22,48

- 12,94

Sais e condimentos

6,80

4,94

- 27,41

Óleos e gorduras

11,88

9,07

23,69

Bebidas e infusões

25,05

32,56

29,99

Alim. preparados e outros

1,70

2,88

69,67



Fonte: IBGE (adaptado por Maluf, 2000).

Fica evidente a configuração de um padrão de alimentação em que a refeição fora do domicílio e a utilização de alimentos preparados têm grande ou crescente importância. Outra tendência se expressa no consumo crescente de refrigerantes e biscoitos. Note-se que para os segmentos de baixa renda esta alternativa pode estar sendo estimulada pelo custo relativamente mais baixo dos biscoitos frente a uma refeição regular. A tendência ascendente da participação relativa de lipídios na dieta do Norte e do Nordeste, o aumento no consumo de ácidos graxos saturados em todas as áreas metropolitanas do País, ao lado da redução do consumo de carboidratos completos, da estagnação ou da redução do consumo de leguminosas, verduras, legumes e frutas e do aumento no consumo já excessivo de açúcar são os traços marcantes e negativos da evolução do padrão alimentar entre 1988 e 1996. Mudanças que podem indicar a adesão da população a dietas mais saudáveis (declínio no consumo de ovos e recuo discreto da elevada proporção de calorias lipídicas) são registradas apenas no Centro-Sul do País.

Como o hábito alimentar do brasileiro tem se modificado substancialmente nas últimas décadas acompanhado do aumento dos índices de sobrepeso e obesidade, supõe-se que os padrões alimentares impostos pelos países industrializados se reflitam de forma similar conforme descrito a seguir, principalmente nos Estados Unidos. As pesquisas de consumo alimentar indicam um aumento per capita de 200 kcal/dia de 1977-1978 a 1994-1996, e o suprimento de alimentos dos Estados Unidos fornece, atualmente, 500 kcal/dia per capita a mais do que nos anos 70. Tal fato, apesar de impreciso, parece confirmar que os americanos consomem mais energia do que no passado. Uma suposição óbvia é o consumo de alimentos fora de casa, que representava 34% do gasto com alimentos em 1970, passando a 47% nos anos 90. Outra possibilidade é o aumento das porções dos alimentos. Muitas observações sugerem que os tamanhos das porções de alimentos consumidas fora de casa estão aumentando. As porções grandes não contêm somente mais energia, mas podem incentivar o aumento no consumo, tornando mais difícil o equilíbrio da atividade física de repouso. As porções de alimento no mercado aumentaram de tamanho e excedem agora as recomendações. Os tamanhos das porções começaram a crescer nos anos 70 e elevaram-se mais ainda nos anos 80. Paralelamente houve aumento do peso corporal da população e dos índices de obesidade. Por causa do aumento do conteúdo energético e das porções, as campanhas contra a obesidade devem enfatizar a necessidade do consumo de porções menores. O consumo aumentado de fast food contribui para o aumento da ingestão de calorias; este problema pode se tornar pior por conta super porções dos cardápios. Na metade dos anos 50, o McDonald’s oferecia somente um tamanho de porção de batata frita; agora esta porção é considerada pequena e representa um terço do peso da maior porção disponível em 2001. As porções grandes de hoje pesam o mesmo que a super porção de 1998, e a super porção de 2001 pesa quase uma medida a mais.

Desde 1999, uma super porção de soda do McDonald’s é quase um terço maior do que a grande. Notavelmente, os tamanhos das porções da rede de fast food da Europa são menores do que aqueles dos Estados Unidos. As porções extra grandes de soda do McDonald’s em Londres, em Roma e em Dublin pesam o mesmo que as grandes dos Estados Unidos. Em 1998-1999, a maior porção de batata frita nos Estados Unidos continha 610 kcal, já a maior no Reino Unido 446 kcal.
Os tamanhos das porções variam de acordo com fonte do alimento, sendo as porções maiores consumidas em fast food e as menores em outros restaurantes. Entre 1977 e 1996, nos Estados Unidos, os tamanhos das porções dos alimentos aumentaram tanto dentro quanto fora de casa para todas as categorias exceto a pizza. O consumo de energia (tamanho das porções) de salgadinhos aumentou em 93 kcal (de 28,4 para 45,4 g), de bebidas carbonatadas em 49 kcal (de 387,4 para 588,4 mL), de hambúrgueres em 97 kcal (de 161,6 para 198,4 g), de batatas fritas em 68 kcal (de 87,9 para 102,1 g) e de alimentos mexicanos em 133 kcal (de 178,6 para 226,8 g).

2. RESULTADOS DE PESQUISA:

“Estimativa da ingestão de sulfitos por escolares pela análise qualitativa da dieta”, realizada entre 2003 e 2004 em duas escolas da Grande São Paulo A amostra pesquisada caracterizou-se por possuir um maior número de indivíduos do sexo feminino (56,4% na escola particular e 79,3% na escola pública). Em relação à idade, a amostra foi composta por adolescentes entre 14 e 19 anos, com média de 15,6 anos.
A maior freqüência de distribuição do IMC ocorreu dentro dos índices considerados normais (20 a 24,9 kg/m2), ou seja, 56,8% da amostra pesquisada, com média de 21,2 kg/m2. Nos extremos da distribuição, foi mais comum detectar escolares abaixo do peso (ou desnutridos, abaixo de 19,9 kg/m2) do que acima do peso (sobrepeso ou obesidade, acima de 25 kg/m2), respectivamente, 34,7% e 8,5%. Neste último caso, somente 1,7% dos escolares apresentaram valores acima de 30 kg/m2, considerados obesos, sendo todos da escola particular e do sexo masculino. As alunas apresentaram maior porcentagem de valores abaixo de 19,9 kg/m2 do que os alunos, respectivamente, 26,8% e 7,9%.

O nível de escolaridade predominante entre os pais dos alunos da escola particular foi o superior, ou seja, 80,9%, sendo uma das características do estrato de renda alta. Já entre os pais dos alunos da escola pública, as maiores freqüências foram nos níveis médio e superior, respectivamente, 38,4% e 24,4%.

A distribuição do valor calórico total (VCT) das refeições de um dia alimentar ocorreu, em quase sua totalidade (75%), entre 1000 e 2500 kcal, com maior concentração entre 1500 e 2000 kcal (32,4%), valores que não refletem as necessidades calóricas do grupo pesquisado, que variam de 2000 a 3200 kcal (UNITED STATES, 2001). As médias de VCT foram 1890 kcal para a escola particular, 1957,8 kcal para a pública, 2088,8 kcal para o sexo masculino e 1839,3 kcal para o feminino. Nos extremos da distribuição, até 1500 kcal e acima de 3000 kcal, foram encontradas diferenças porcentuais entre os estudantes dos sexos masculino e feminino, que foram, respectivamente, 15,5% e 10,3%, 33,9% e 6,8%.

Dos escolares entrevistados, 71% consumiam lanche na escola. Destes, 28% traziam o lanche de casa, enquanto o restante (72%) o adquiriu na escola. Observou-se que os alunos da escola particular consumiram mais o lanche (83%) em relação aos alunos da escola pública (57,3%), provavelmente, devido a melhor condição sócio-econômica, o que pode ter contribuído para a aquisição de maior quantidade de alimentos de alta densidade energética.

Contudo, observou-se, por intermédio do preenchimento do recordatório 24 horas, que esse consumo de calorias provenientes de alimentos de alta densidade energética, como massas, biscoitos, sucos industrializados adoçados, doces, frituras, salgadinhos, sanduíches, ocorreu em todas as refeições do dia. Estes alimentos, inclusive, contribuem com menos de 10% da ingestão total de enxofre de acordo com Anderson, Cunningham & Lindstrom (1994), o que está relacionado ao fato da média de consumo de sulfitos não ter ultrapassado a ingestão diária aceitável (IDA). A distribuição destes alimentos nas refeições diárias não seguiu os princípios de uma alimentação saudável, concentrando-se quase que exclusivamente nos lanches (escolar ou não) e no almoço ou jantar, dando-se pouca importância ao café da manhã. Nesta amostra, contudo, isto pode não estar se refletindo em problemas de saúde, como a obesidade, conforme já demonstrado na análise do IMC. Supõe-se, por outro lado, haver problemas relacionados à restrição alimentar, como os transtornos alimentares (anorexia ou bulimia), pelos escolares do sexo feminino, que representavam 67% da amostra pesquisada. Somente na escola pública foi relatado o consumo de merenda escolar no lanche, ou seja, 22,5% dos alunos que consumiam o lanche na escola. Em relação à distribuição do valor calórico do lanche, a maior freqüência de distribuição estava entre 100 e 400 kcal, ou seja, 49,4%. Quando levada em consideração a variável escola, as freqüências para as escolas particular e pública foram, respectivamente, 61,7% e 35,4%. A média do valor calórico do lanche da escola particular foi de 233,1 kcal e a da escola pública 170,2 kcal, enquanto a do sexo masculino foi de 191,9 kcal e do feminino 209,7 kcal. Observou-se que quanto maior o VCT maior o valor calórico do lanche.

Normalmente, os escolares quando consumiram fontes de sulfitos, fizeram-no consumindo 1 fonte, ou seja, 41,5% da amostra pesquisada. Somente na escola particular foi detectado o consumo de mais de uma fonte. Os alunos tiveram maior porcentual (46,6%) de consumo de 1 fonte de sulfitos do que as alunas (39%).

A fonte de sulfitos, quase sempre, foi do grupo das bebidas não alcoólicas (sucos de frutas industrializados e similares, como néctares de frutas). Este grupo foi consumido por 81,8% dos escolares que ingeriram fontes alimentares de sulfitos (43,8% da amostra pesquisada), com porcentual maior de consumidores de bebidas não alcoólicas na escola pública (94,3%). Os alunos da escola particular consumiram maior variedade de fontes de sulfitos.

O consumo per capita diário de sulfitos na amostra pesquisada teve maior freqüência de distribuição (23,9%) no intervalo de 0 a 5 mg SO2, sendo a média de consumo de 3,8 mg SO2. As médias de consumo na escola particular foi de 4 mg SO2 e na pública 3,6 mg SO2, já a do sexo masculino foi 5,3 mg SO2) e do feminino 3,1 mg SO2.

Estes valores médios de consumo de sulfitos estão relativamente distantes dos valores obtidos por outras pesquisas, mesmo que fossem considerados valores residuais por análise química dos alimentos consumidos. É importante destacar que todas estas pesquisas detectaram fontes alimentares de sulfitos significativas na dieta dos indivíduos das amostras pesquisadas.

Na Itália, considerando os níveis máximos permitidos (MPL’s) estabelecidos pela Comunidade Européia e os cardápios (com presença de frutas secas, bebidas carbonatadas, vinhos) definidos em pesquisa realizada por Leclercq et al. (2000), uma criança pode alcançar o consumo de 68,33 mg de sulfitos, o que representa 325% da IDA para esta faixa etária (21 mg), enquanto que um adulto pode alcançar o consumo de 123,4 mg, o que corresponde a 294% da IDA. A ingestão diária máxima teórica (TMDI) dos sulfitos, calculada pelo consumo médio e pelos MPL’s da legislação italiana em estudo realizado por Manzi et al. (1992) apud Leclercq et al. (2000), foi de 54,5 mg incluindo 20,2 mg do consumo potencial de vinho (média de consumo de 160 mL per capita). Em outro estudo, Stacchini et al. (1999) apud Leclercq et al. (2000), a TMDI obtida pela legislação foi de 49,3 mg de sulfitos, sendo a maior fonte de sulfitos o vinho (32 mg), seguido de frutas secas (8 mg) e de peixe (2 mg).

Hardisson et al. (2002) obtiveram valores entre 10,5 e 45,5 mg de sulfitos, dependendo da porção diária de camarão que, para os espanhóis, pode variar de 100 a 400 g. Outros trabalhos obtiveram níveis de ingestão mais próximos daqueles obtidos por esta pesquisa.

Também na França, François-Collange et al. (1991) estimaram a média de consumo em 20 mg/dia/pessoa com o risco de exceder a IDA em 5-10 % da população. O consumo de sulfitos foi estimado em 1,96 mg/dia/pessoa para os não consumidores de vinho, cerveja e sidra e 31,53 mg/dia/pessoa para a população que consome tais bebidas (367 mL/dia).

Dokkum et al. (1982) calcularam em dieta total de adolescentes masculinos entre 16 e 18 anos um conteúdo médio de sulfitos de 3 mg, com máximo de 13 mg, sendo que as maiores concentrações foram encontradas em carne, frango, ovo, açúcares e doces. Resultados da Finlândia e da Grã-Bretanha, usando método analítico, mostraram ainda níveis menores de consumo de sulfitos, respectivamente, 0,07 e 0,31 mg/kg pc/dia (PENTTILÄ et al. 1988 e MAFF, 1993 apud VERGER et al. 1998).

Os americanos consumiam, diariamente, em média, 6 mg de equivalentes de SO2, do alimento. Uma refeição hipotética com alface adicionada de sulfitos, batatas desidratadas (purê), camarão e vinho pode alcançar um total de 93 mg de equivalentes de SO2 (TAYLOR & BUSH, 1987). Em 1973, Gibson & Strong (1974) relataram um consumo per capita de 2 mg SO2 / dia derivados de alimentos sólidos e bebidas não alcoólicas (a cerveja contribuía com 1,2 e o vinho com 4,0 mg SO2 / dia).

Em relação ao consumo de SO2, em mg/kg pc/dia, a maior freqüência de distribuição (33,5%) foi encontrada no intervalo de 0 a 0,2 mg SO2/kg pc/dia, sendo o valor médio de consumo de 0,07 mg SO2/kg pc/dia para a amostra pesquisada, bem abaixo da IDA para sulfitos de 0,7 mg SO2/kg pc/dia. Para as escolas particular e pública a distribuição porcentual no intervalo de 0 a 0,2 mg SO2/kg pc/dia foi similar, respectivamente, 33% e 34,2%. As médias de consumo foram, respectivamente, 0,07 mg SO2/kg pc/dia e 0,06 mg SO2/kg pc/dia. Quando considerada a variável sexo, repetiu-se este padrão de distribuição no intervalo de 0 a 0,2 mg SO2/kg pc/dia, ou seja, para o sexo masculino, 34,4%, e, para o feminino, 33,1%. As médias de consumo foram, respectivamente, 0,08 mg SO2/kg pc/dia e 0,06 mg SO2/kg pc/dia.

Nenhum dos escolares ultrapassou a IDA. Somente 4,5% da amostra pesquisada alcançaram valores maiores que 50% da IDA, ou seja, acima de 0,35 mg SO2/kg pc/dia. Estes escolares somente conseguiram alcançar estes níveis de ingestão (de até 0,52 mg SO2/kg pc/dia) por serem grandes consumidores de sucos de frutas industrializados (mais de 500 mL/dia) ou, no caso da escola particular, por associar o seu consumo com bebidas alcoólicas como vinho e cerveja, o que não deve ser uma prática comum entre adolescentes devido à proibição da venda/consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos. Esses níveis de ingestão estão mais presentes na escola particular (7,4%) que na pública (2,4%), quando as amostras são analisadas separadamente, o que influenciou um consumo médio maior na escola particular que na escola pública, apesar de serem estatisticamente iguais. Se considerado o sexo, os alunos têm maior freqüência (5,2%) nos níveis acima de 0,35 mg SO2/kg pc/dia que as alunas (4,2%), o que influenciou um consumo médio maior no sexo masculino. É importante destacar que, conforme estabelecido pelo princípio do Budget Method, o consumo de um determinado aditivo é limitado pela quantidade de energia requerida e pela quantidade de alimento e bebida consumidos diariamente (DOUGLASS et al. 1997). Nesse estudo, esses fatores não mostraram dependência com o consumo de sulfitos, principalmente considerando que não foram detectadas fontes significativas de sulfitos na alimentação dos escolares.

Relaciona-se o consumo de sulfitos com o aparecimento de reações alérgicas, principalmente nos indivíduos asmáticos. Nesse trabalho, pelo questionamento quanto à existência de reações alérgicas, de uma forma geral, não se observou a declaração de existência de algum tipo de alergia relacionada ao consumo de sulfitos, como as principais fontes alimentares de sulfitos, na qual se encontram somente os dados dos declarantes de alergia, que representaram 35,8% da amostra pesquisada. A maior freqüência de distribuição foi encontrada na declaração de alergia a pó, principalmente na escola pública (68,6%). Considerando que o objetivo para a regulamentação dos sulfitos é a proteção dos indivíduos sensíveis, que é consenso de que o uso dos sulfitos nos limites atualmente preconizados não representa risco a maioria dos consumidores, embora existam evidências de que a exposição contínua de indivíduos sensíveis pode causar graus razoáveis de sensibilidade, e que não há informações suficientes sobre os riscos causados especificamente por cada tipo de alimento ou aqueles associados às formas livres e combinadas de sulfitos e sobre os mecanismos de sensibilidade aos sulfitos, recomenda-se a declaração dos sulfitos no rótulo do alimento quando o conteúdo residual ultrapassar 10 mg de SO2 total/kg. Inclusive em restaurantes, onde o consumidor poderá ser alertado em relação aos alimentos que possuem conteúdos de sulfitos acima de 25 a 50 mg/kg, principalmente aqueles indivíduos sensíveis, como os asmáticos, podendo colaborar na prevenção de reações adversas a indivíduos com outros tipos de sensibilidade ou alergenicidade. As informações poderão alcançar os consumidores por meio de placas ou folhetos explicativos, alertando-os sobre os riscos do consumo de determinado tipo de alimento.


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