Atenção no Consumo de Alimentos Rotulados como “Ricos em Fibras”
Andréa Vaz - 09/05/2007 14:13
Redação Online da SBD
Hoje em dia, o cuidado na hora de fazer as compras deve ser redobrado. Isso porque os alimentos industrializados, rotulados como “ricos em fibras”, invadiram as prateleiras dos supermercados, em todo o país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), esses produtos, além de mais caros, não são a melhor alternativa para uma alimentação saudável e devem ser consumidos com moderação. A nutricionista Ana Maria Calabria, especialista em Nutrição Clínica e membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD, alerta para a importância do assunto.
SBD: O Idec afirma que os produtos industrializados rotulados como "ricos em fibras" podem não ser a melhor fonte de uma alimentação saudável. Você concorda? Por quê?
Ana Maria Calabria: Sim, pois esses produtos disponíveis no mercado, como pães, queijos, iogurtes, leites, margarinas e sucos, possuem um valor calórico bastante elevado para ser utilizado como fontes de fibras. Além disso, têm maior custo em relação aos naturais, que são os cereais integrais, as verduras e raízes com baixo teor de amido, as frutas e as nozes. Estes são ricos em fibras e mais úteis sob o ponto de vista nutricional.
SBD: E quanto às calorias? Qual a diferença entre os alimentos naturalmente ricos em fibras e os enriquecidos artificialmente?
Ana Maria Calabria: Os industrializados são mais calóricos, já que também são fontes de carboidratos, gorduras e proteínas, o que dificilmente acontece com os naturais. Isso porque, além de fibras, estes contêm vitaminas e minerais, nutrientes que não produzem grande quantidade de calorias.
SBD: As fibras contribuem para a prevenção e o tratamento do diabetes? De que modo?
Ana Maria Calabria: O acréscimo de fibras solúveis na alimentação diária do paciente com diabetes tem exibido reflexos positivos no controle glicêmico pós-prandial (após refeições). Esta ação decorre da própria presença da fibra na luz intestinal, configurando-se como uma barreira à absorção do carboidrato. Porém, estudos ainda não justificaram a necessidade de a pessoa com diabetes ingerir mais fibras que a população em geral. SBD: Quais as restrições para a pessoa com diabetes no consumo desses produtos industrializados?
Ana Maria Calabria: A alimentação diária, tanto das pessoas com diabetes como da população em geral, deve se basear num padrão adequado, de acordo com a Organização Mundial de Saúde e consensos brasileiros. É importante:
· Reduzir o consumo de alimentos industrializados;
· Dar preferência aos vegetais frescos, priorizando os crus;
· Consumir as formas mais magras de laticínios e carnes;
· Evitar o consumo de sanduíches, salgadinhos e pizzas no lugar de refeições balanceadas;
· Eliminar ou restringir as bebidas alcoólicas à quantidade de 30g de etanol/dia, para homens, e à metade deste valor, para mulheres;
· Aumentar a ingestão de fibras, por meio de cereais integrais, legumes, verduras cruas e frutas frescas ou dessecadas;
· Diminuir o consumo de sal e açúcar.
SBD: Qual o papel das fibras na alimentação? Quais os seus efeitos benéficos?
Ana Maria Calabria: Elas colaboram para a saciedade, fazendo com que a pessoa reduza o consumo de alimentos em cada refeição. Além disso, diminuem de forma direta os níveis de glicose e gordura no sangue. É importante que as fibras estejam presentes na alimentação, através do consumo de verduras, legumes, cereais integrais, frutas e leguminosas. Desse modo, um total de 20g a 30g ao dia é suficiente para uma pessoa adulta, tornando desnecessário o consumo de suplementos alimentares contendo fibra.
SBD: Muitas pessoas estão substituindo o consumo de frutas, legumes e verduras (alimentos ricos em fibras) por esses produtos industrializados. Quais as conseqüências disso?
Ana Maria Calabria: Caso não seja acompanhado por profissional habilitado, como um nutricionista, o seu consumo indiscriminado poderá provocar aumento de peso corporal. Além disso, facilitará o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis (DNCT), cuja alimentação inadequada tem bastante influência.
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