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Nível elevado de homocisteína na doença cardiovascular:

São Paulo, 20 de Outubro de 2008.

   
      A doença cardiovascular (DCV) é a maior causa de morte nos países industrializados e observa-se uma preocupação crescente nos países em desenvolvimento.
A soma das causas de mortes por câncer, acidentes, doenças respiratórias, diabetes e acidentes vasculares cerebrais, não se iguala ao número de mortes por doenças do coração. Os hábitos de vida modernos – má alimentação, principalmente, associada ao alto consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e trans, sedentarismo, estresse, etc – são fatores conhecidos que interferem no aparecimento das DCV.
 Nos últimos anos, cresceram as evidências relacionando os níveis elevados de homocisteína sanguínea e o aumento no risco de DCV.  Segundo a OMS, o excesso de homocisteína no sangue é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, podendo causar danos e obstruções aos vasos sanguíneos, trombose, resultando em infarto ou derrame.
A homocisteína é um aminoácido, não presente nos alimentos, sintetizada pela decomposição do aminoácido metionina. Assim, sua retirada da corrente sanguínea depende do ácido fólico e das vitaminas B6 e B12. Ou seja, a metionina é transformada em homocisteína no organismo. Na presença de vitamina B6, esta é transformada em cisteína. Ainda, na presença de vitamina B12, que participa do ciclo do folato, a homocisteína é convertida à metionina. Portanto, vê-se grande participação destas vitaminas no controle dos níveis de homocisteína.
 
     O nível ideal de homocisteína no sangue é < 10umol/L e, muitos fatores estão associados ao aumento dos níveis, como baixa ingestão de vitaminas; fatores fisiológicos, como gênero, envelhecimento; o estilo de vida; fatores genéticos; etc.
Alguns autores mostram que um aumento de 3umol/L no nível de homocisteína está associado ao aumento de 15% no risco de doenças do coração, 20% risco de derrame e 25% risco de trombose venosa.
Apesar de a associação entre vitaminas B6 e B12 e concentrações plasmáticas de homocisteína ser citada por diversos autores, a associação mais potente seria com o ácido fólico, segundo American Heart Association – AHA (1999).
     Assim, segundo a AHA, o tratamento para as concentrações elevadas de homocisteína tem sido a suplementação de 1 a 5mg diários de ácido fólico. Acredita-se que uma dieta saudável poderia fornecer as recomendações diárias através do consumo adequado de vegetais, frutas, leguminosas, carnes, peixes e cereais fortificados, possivelmente prevenindo a elevação plasmática de homocisteína. Porém, ainda é controverso se sua redução plasmática pela dieta ou suplementação realmente reduziria os riscos cardiovasculares.
 Fontes:
     American Heart Association. AHA Science Advisory. Homocysteine, diet and cardiovascular diseases. Circulation 1999;99:178-82;
Material do curso de Extensão Universitária – Solicitação e interpretação de Exames Laboratoriais – Clínica de Nutrição Especializada Evie Mandelbaum.
 
 
 
 
Dra Valesca Bonafim Cardoso - CRN-3: 23968P
Nutricionista (FSP – USP).
Nutricionista da Clínica de Nutrição Especializada Evie Mandelbaum
Dra Evie Mandelbaum - CRN-3: 6037
Nutricionista Gerontóloga (FSP - USP / SBGG)
Especialização em Nutrição em Cardiologia (InCor - HCFMUSP)
Autora dos livros:
´Atendimento Sistematizado em Nutrição` - Ed. Atheneu, 2002.
´Cuidado, olha o crachá no prato !` - Ed. Alegro, 2004.
 


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